Servidores da Saúde pedem revogação de Ordem de Serviço e saída da secretária

Servidores protestaram em caminhada no entorno da Praça das Flores | Sóstenes da Silva

Passadas três semanas do início do ano e do impasse decorrente da proibição do uso de veículos  públicos para transporte até as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), os servidores públicos da Saúde ainda aguardam serem chamados pela Administração Municipal para o diálogo, o qual, segundo reclamam, nunca houve para tratar da Ordem de Serviço 05 de 2018 e suas consequências. E a intenção, como afirmaram integrantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindiserv) em entrevista à rádio Inova no final da manhã desta segunda-feira, 21 de janeiro, é que o prefeito Régis Luiz Hahn revogue a decisão. Em protesto, com passeata no entorno na Praça das Flores carregando faixas e gritando frases em coro, ao meio-dia, os manifestantes pediram a saída da secretária de Saúde, Andreia Siqueira Frota.

Conforme o dentista Gustavo Pautz Carlos, que em recente assembleia assumiu o cargo de vice-presidente do Sindiserv, os servidores não são contra a proibição do transporte, mas da forma como esta decisão foi tomada, sem diálogo com a categoria. A Ordem de Serviço foi publicada no dia 26 de dezembro, período que muitos servidores estavam em férias, pondera Manuela de Oliveira, secretária. “Nova Petrópolis é uma referência sobre o SUS que dá certo. A gente não está entendendo as motivações”, completa.

Dr. Gustavo, além de conjecturar sobre motivações alheias às que estão sendo dadas pela Administração Municipal para a decisão, Dr. Gustavo aponta contradições nas justificativas do prefeito Régis Luiz Hahn e da secretária de Saúde. “Profissionais se negando a dirigir: isso não pode ser uma justificativa de uma gestão para aplicar uma ordem de serviço destas, uma vez que não pode obrigar o servidor a dirigir. Não era isso que eles queriam mesmo?”, questionou. Sobre a falta de colaboração dos servidores alegada pela prefeitura na época em que estava ocorrendo o desabastecimento de combustível na cidade em função da greve, o sindicalista sustentou que houve; e se durou apenas um dia, como reclamou o prefeito, a reclamação dos servidores é por que a Administração Municipal não aproveitou o momento para debater com a categoria medidas para fazer o racionamento mais prolongado, como as próprias decisões que foram tomadas com a Ordem de Serviço em dezembro. Ele ainda comentou sobre o fato de os servidores da Saúde não estarem lotados em uma UBS específica e que o transporte com veículo da prefeitura até o local de trabalho é colocado nos concursos públicos como um diferencial em Nova Petrópolis. Agora, “está sendo incutido ao servidor que isso é um privilégio, que é uma vício”.

Os diretores do Sindiserv também comentaram sobre outro fato alegado pelo prefeito e secretária de Saúde como motivo para a suspensão da transporte, o atraso das equipes, dizendo não compactuarem que não haja punição para o servidor que se atrasar para pegar o transporte; mas que esta tem que partir da Administração Municipal. “Isso é um problema de gestão, tem que ser resolvido administrativamente. A gente não está aqui (na diretoria) para passar a mão na cabeça de todo o servidor. Tanto no setor público quanto no privado, o servidor tem que responder por seus atos. Agora, fazer uma mudança em todo um serviço que acontecia há 20 anos por estes problemas pontuais, isso a gente não vê como uma gestão eficaz”, avalia o vice-presidente do Sindiserv.

A avaliação dos servidores da Saúde, diferentemente da Administração Municipal, é que a decisão afeta negativamente o atendimento à saúde.  Conforme Manuela, houve relatos de equipes de Estratégia de Saúde da Família que estão tendo dificuldade para fazer os agendamentos das visitas domiciliares em função da indisponibilidade de motoristas. Mas, além da comunidade, os próprios servidores estão sendo impactados em sua saúde, pelo desgaste que a situação tem causado no ambiente de trabalho.